USO IRRACIONALO DA ÁGUA AMEAÇA O PLANETA

Publicado por Emilio Martins em

imagem fundo 1Existe um grande volume de água doce contido em lagos e reservatórios por todo o planeta, mas isso diminui a cada ano, sem que ocorram investimentos e ações que minimizem este processo. Em apenas 50 anos, a civilização pós-2ª Guerra Mundial conseguiu provocar redução na disponibilidade de água doce em cerca de 62,7% das reservas mundiais. Na América do Sul, esta redução chega a 73% e no continente africano a 75%. Os efeitos disso já podem ser observados nas secas, na erosão dos solos e desertificação dos ecossistemas.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, para sustentar razoavelmente a qualidade de vida é necessária à média de 80 litros/dia por pessoa. Esse consumo varia muito, dependendo da disponibilidade de acesso e aspectos culturais, entre outros. Nada menos do que 85% de toda a água doce disponível no mundo são utilizados para irrigação, 10% pelas indústrias e apenas 5% para consumo humano. Se considerarmos os 38 milhões de quilômetros cúbicos de água, incluindo as que estão depositadas nas geleiras e calotas polares, teríamos disponível apenas 1,9 milhões de quilômetros cúbicos para o consumo humano. Se considerarmos apenas 9 milhões de quilômetros cúbicos que são possíveis de exploração, teríamos atualmente apenas 450 mil quilômetros cúbicos de água disponível para o consumo humano, o que é muito pouco e mostra o quadro de escassez em todo o planeta. Essa escassez já indica o caminho do lucro a grandes grupos empresariais, especialmente da França, Inglaterra e Espanha, que controlam o abastecimento em vários países do mundo.

Escassez

No mundo inteiro, o quadro é de escassez e mau uso da água. A escassez é causada pela combinação de crescimento populacional exagerado e inexistência de reservas naturais. A má utilização, o uso irracional e a deterioração da qualidade da água se constituem grandes desafios para países ricos e pobres. Por sinal, poucos são os países onde as reservas são administradas de forma eficiente e responsável. Em poucos anos, das 20 maiores cidades do mundo, 18 localizadas nos países pobres (duas delas no Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro), nenhuma delas terá água suficiente para atender a população. No Brasil, o potencial de recursos hídricos significa 53% da reserva da América do Sul e 12% do total mundial. São cerca de 5.604 quilômetros cúbicos/ano, considerando-se somente a contribuição do território brasileiro, e 7.906 se for levada em conta as contribuições de mananciais de outros países integrantes da bacia amazônica. O Brasil tem a maior bacia fluvial do mundo, porém as taxas de desperdício de água são assustadoras: estimadas em 40%. A abundância de água esconde a péssima gestão dos recursos. A enorme quantidade de água ainda disponível não se reverte em benefício da população. A região Norte, onde fica a maior reserva de água potável do País, é a que detém os piores índices de atendimento em serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário. É, também, a que mais contamina os recursos hídricos, com grande quantidade de agrotóxicos, mercúrio (dos garimpos) e lixo bruto.

Lixo nos rios

Exemplos de irresponsabilidade não faltam: 63% dos depósitos de lixo no Brasil estão em rios, lagos e restingas, nos chamados corpos d’água. A Bahia, quarta economia do País, desperdiça 50% da água produzida, o que daria para abastecer satisfatoriamente 5 milhões dos seus 12,1 milhões de habitantes. Menos da metade (43,7%) tem serviço regular de abastecimento de água. A má utilização dos recursos hídricos já preocupa a sociedade, especialmente entidades ligadas ao setor de saneamento e meio ambiente, devido à inexistência de uma política de gerenciamento e usos múltiplos da água. O projeto de lei 2.249/91, que dispõe sobre a Política Nacional de Recursos Hídricos e cria o Sistema Nacional de Gerenciamento dos Recursos Hídricos, só agora dá sinais de vida. Foi aprovado na Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias, faltando a aprovação do Congresso, onde está desde 1991, e sanção do presidente da República. O novo relator, deputado Aroldo Cedraz (Bahia) manteve pontos polêmicos sobre a cobrança pelo uso da água, inclusive para consumo humano.

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